segunda-feira, 28 de maio de 2012

FÉ COMO FENÔMENO HISTÓRICO 

Ao refletir sobre a fé, se esta pensando sobre o que tem mais sentido dentro do Ser que salta para a convicção. Precisamos entender que a fé em seus princípios precisa ser visualizada como fenômeno histórico: a aparição, entre os homens de uma mesma época e de todas as épocas, de uma comunidade, de uma reunião, de uma comunhão. Mas ao mesmo tempo ela suscita no próprio seio dessa comunidade uma pregação, uma mensagem dirigida ao exterior, em direção ao mundo de fora. Uma luz se acende e "ela ilumina a todos os que estão dentro da casa" (Mt 5.15). Em suma: a fé dá nascimento e vida a uma comunidade cuja vocação é a de estar no e para o mundo; e é Israel que surge no meio dos povos, e é a Igreja que se reúne, a comunhão dos santos, todos os que constituem o corpo de Cristo. Não que Israel e a Igreja sejam um fim em si mesmos, pois estão aqui unicamente para significar a vinda do servidor que Deus suscitou para todos. Há a história, portanto, e aqui é o lugar de falar dessa correspondência entre a ação do homem e a obra que Deus realizou na livre decisão da sua graça. Essa história é possível desde que o homem responda, quer dizer,obedeça.A fé é obediência e não adesão passiva. Obedecer é escolher. Escolher a fé e não a incredulidade, decidir-se pela confiança contra a dúvida, pelo conhecimento contra a ignorância. Crer é fazer uma escolha entre a fé e o que não é ela, o erro e a superstição. A fé é o ato de obediência e de decisão pelo qual o homem se apresenta a Deus como Deus o exige. Esse ato implica que se deixe de ser neutro face a face com Deus, que se abandone essa atitude de indiferença e de irresponsabilidade que impede toda decisão verdadeira; que se deixe, enfim, seu próprio universo para ousar escolher e se ligar abertamente, publicamente. Uma fé que permaneça algo privado, que não se manifeste para o exterior, não será mais do que uma incredulidade escondida, uma falsa fé, uma superstição. Pois a fé que tem por objeto Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo não pode não se manifestar publicamente. Dissemos que "a fé cristã é a decisão que dá aos homens a liberdade de declarar publicamente sua confiança na Palavra de Deus". A responsabilidade pública que o cristão assume implica que ele recebeu o direito, a permissão; quer dizer que ele conhece uma evidente liberdade. À liberdade de crer e de conhecer, soma-se aquela de se engajar. Impossível separar uma da outra.

domingo, 20 de maio de 2012



O ROMANTISMO E SUA INFLUÊNCIA. 


Falar sobre o romantismo é essencial para entendermos alguns desenvolvimentos que ocorre nas artes, literatura e nas teorias que compõe a teologia, filosofia e sociologia. O romantismo foi um movimento artístico e intelectual ocorrido na Europa na literatura e filosofia que estendeu-se de 1800 a 1850.  O romantismo associou as ideias de povo e nação como constitutivas de uma mesma entidade coletiva manifesta na língua, na historia e na cultura comuns. Identificada como alma ou espírito nacional, a realidade intrínseca de cada povo e Nação. Representa uma individualidade histórica irredutível. A historia será sempre, então, a historia dessas realidades únicas que tem no Estado sua expressão política. Caberá então ao Estado e Nação o lugar de honra no campo da historiografia dos Oitocentos. Os pressupostos historicistas românticos articulara-se com exigências metódicas quase sempre rigoristas, em particular na Alemanha. A erudição, a critica documental rigorosa, a incessante busca de novas fontes, o conhecimento filológico, constituem componentes fundamentais da escola histórica alma. Este era na verdade o território comum a românticos e positivistas. A promoção do Estado a condição de “objeto por excelência da produção histórica” significou a hegemonia da historia política. Dai porque, no século XIX, poder e sempre poder do Estado e instituições, aparelhos, dirigentes; os “acontecimentos” são sempre eventos políticos, pois são estes os temas nobres e dignos da atenção dos historiadores. Portanto como vimos o romantismo esta relacionado com o sistema, a sociedade e com os autores que dentro de suas defesas sofrem influencias desta proposta que esta contida em nossa cultura de um formato muitas vezes não perceptível e outras de maneira aparente. Porém pessoalmente não vejo prejuízo, mas sim contribuição para com a arte e a literatura, em algumas períodos da história. 

domingo, 13 de maio de 2012



NIEBUHR E A NEO-ORTODOXIA NORTE AMERICANA


Não pode haver nenhuma dúvida quanto à evidência de ser Reinhold Niebuhr o teólogo americano mais importante hoje. Isso é admitido tanto pelos que discordam dele como pelos que o seguem. Não há nenhum teólogo que tenha causado maior impacto sobre o público do que o fez Niebuhr. Seus livros são lidos avidamente, mesmo por pessoas que normalmente não “morrem de amores” por leituras relacionadas com teologia.
Niebuhr, professor do Union Theological Seminary, agiu como figura proeminente em um número enorme de outros empreendimentos. Foi líder do movimento ecumênico dentro do protestantismo. Concorreu em diversas ocasiões a postos oficiais, sob a legenda socialista e, depois, chegou aos escalões de cúpula do Partido Liberal em Nova York. Por ter sido um dos primeiros políticos liberais a perceberem a natureza e o perigo do comunismo, tornou-se um dos pais fundadores de entre os americanos da “Ação Democrática”. Poucos são os cristãos que deram tanto tempo e ajuda à causa sionista como Niebuhr. De maneira incompreensível, ele encontrou tempo para escrever numerosos livros, editar dois jornais de cunho religioso e fazer parte do corpo editorial de algumas revistas seculares. Seus artigos apareceram em inúmeras publicações religiosas e seculares.
Caso queiramos entender mesmo a teologia de Niebuhr, temos de levar em consideração que não se trata de algo elaborado em ambiente tranqüilo nem acadêmico. É teologia produzida na sua vida turbulenta e nos enormes esforços que fez de aplicar o cristianismo às esferas sociais, econômicas e políticas da vida. O pensamento característico de Niebuhr sempre parte do que é humano, material e social. Ele não se voltou para a ortodoxia simplesmente pelo fato de ser ortodoxia, nem por virtude de ela estar associada com alguma espécie de autoridade dogmática. Ele aceitou seus postulados por encontrar neles as mais adequadas respostas aos problemas da vida em sociedade.
Niebuhr formou-se num dos seminários existentes no pais em 1915 quando sustentava as teses da teologia liberal. Ele acreditava na bondade de Deus e do homem, afirmava a importância de fazer tudo pela aplicação do Sermão do Monte ao todo da existência e tinha a esperança otimista de que o Reino de Deus haveria de se instalar sobre a terra dentro de um futuro relativamente próximo. Caso tivesse se tornado pastor de uma das igrejas da classe média nos subúrbios das grandes cidades, talvez ele nunca tivesse se tornado um teólogo de renome. Entretanto, ele foi, entretanto, para uma igreja em Detroit, constituída de crentes pertencentes a classes trabalhadoras, onde pôde contemplar bem ao vivo os problemas com que os trabalhadores se debatiam, inteirando-se das táticas empregadas para a supressão das organizações que promoviam a união dos trabalhadores e do trágico dispêndio de valores humanos que a América estava fazendo para conseguir sua industrialização acelerada. Ele começou, então, a ter dúvidas de que os problemas da época pudessem ser resolvidos de modo simples, como a teologia que tinha abraçado lhe fazia crer.
Com o passar do tempo, os fatos grosseiros da existência forçaram Niebuhr a entender que a ortodoxia cristã seria mais realista e mais respeitável intelectualmente do que a teologia liberal. Efetivamente, Niebuhr deseja que consideremos sua teologia como simples redescoberta da sabedoria da ortodoxia cristã, que se encontrava tão ofuscada. Isso não significa dizer que ele se tivesse voltado para o fundamentalismo. O emprego que ele faz do termo “mito” torna bem claro que isso não aconteceu.
As relações do homem para com Deus, isto é, do finito para com o infinito, não serão jamais expressas em termos racionais e lógicos, entende Niebuhr. Podem sê-lo somente mediante a adoção de mitos, tais como os do relato da criação e da queda presentes no livro de Gênesis. Em religião, como cremos, tratamos com mistérios e experiências tão profundos da existência que resistem a todos os esforços que façamos no sentido de conseguir descrevê-los de modo nítido. Niebuhr compara a teologia com o que fazem os pintores, que, tendo de trabalhar sobre superfície plana, precisam dar a ilusão de perspectiva, como se houvesse uma outra dimensão, isto é, profundidade. Trata-se de uma forma de ilusionismo, mas um expediente legítimo para que nos retrate a verdade a ser contemplada. Semelhantemente, o teólogo sente necessidade de oferecer-nos uma descrição da divindade e dos processos pelos quais opera, mediante maneiras de dizer características do mundo existente no espaço e no tempo. Entretanto, sabe-se que Deus transcende ao mundo de modo que nenhuma das expressões que usemos para descrevê-lo corresponderá à realidade divina. Por outro lado, a divindade não é só transcendente, ela é também imanente e ativa no universo, e isso faz com que nos seja possível dizer algo a propósito de Deus. Uma vez que nossa lógica temporal pode expressar-se, porém não de modo adequado a respeito de Deus, tem-se o direito de, assim como o pintor faz, lançar mão de símbolos que dêem impressão da existência de outra dimensão da realidade. A teologia, em conseqüência, vem a ser uma tentativa de expressar as dimensões da profundidade própria da existência. Niebuhr emprega o termo “mito” para dar-nos idéia do que se passa com o pensamento que a teologia sistematiza. O termo é, talvez, menos feliz, pois sabe- se que está associado aos contos de fada. Entretanto, Niebuhr o emprega com a significação de que, embora não expresse a verdade com exatidão científica, possibilita tratar-se de verdades que não possam exprimir-se adequadamente por nenhuma outra maneira. Será, então, algo que pode ser considerado como ilusório, mas verdadeiro, exatamente como acontece com o ilusionismo da profundidade no caso dos artistas.
O fundamentalismo toma o mito como literalmente verdadeiro e, por isso, entra em conflito com a ciência, por exemplo, a propósito da evolução. O caso, porém, é que uma interpretação literalista das Escrituras Sagradas não resulta só em ciência absurda, mas também em religião falsa. Resulta em simplificar-se demais a relação de Deus com o universo. O liberalismo, por outro lado, passou a considerar os mitos tão- somente como expressões de vulgaridade, como se não passassem de especulações pré-científicas. Niebuhr, entretanto, insiste em que devemos tomar os mitos com seriedade, mas não entendê-los como literalmente verdadeiros. Ao serem assim interpretados, os mitos passam a revelar-nos uma intuição admirável no sentido do relacionamento existente entre Deus e o homem. Por exemplo, o relato concernente a Adão e Eva não nos descreve como teria sido efetivamente o primeiro homem e a primeira mulher, pois é uma representação intelectual da situação pertinente a todo homem e toda mulher.
Niebuhr encontra na história do cristianismo duas atitudes para com a razão. Uma delas entende ser o cristianismo inteiramente irracional, isto é, o situa acima da inacessível à razão. Ele não pode ser demonstrado nem ser objeto de investigações através do exercício da razão; qualquer teologia natural deve ser considerada como coisa idolátrica e as tentativas de provar a veracidade da revelação não passam de atitude presunçosa. Niebuhr afirma que tanto Kierkegaard como Barth merecem essa crítica. Entende o teólogo americano que essa é uma atitude perigosa, por concorrer para que se anule a significado do evangelho. 



  Benefícios Espirituais Que A Escatologia Nos Proporciona



   COLOCA EM RELEVO

AS REALIDADES EM NOSSO MUNDO QUE EVIDENCIAMFIM DOS TEMPOS. 


  NOS ADVERTE QUE:  


COMO CRENTES,JAMAIS PODEMOS FICAR  DESLIGADOS DOS FATOS ESCATOLÓGICOS. 

DEMONSTRA QUE: 

Precisamos Desvendar Os Nossos Olhos Espirituais Pois Ainda Temos
Uma Tarefa: Transformar Os Crentes Para Impactarmos o Mundo! 


PRINCIPAIS TEMAS DE ESCATOLOGIA 

Correntes Escatológicas, morte e estado intermediário da alma, a segunda vinda de Jesus, a ressurreição, o arrebatamento da Igreja, o milênio, a grande tribulação e o anti-cristo, a situação de Israel na grande tribulação, o juízo final e o que esta reservado dos justo e dos impios. 


domingo, 6 de maio de 2012

As aplicações teológicas de Karl Barth, levam o leitor e estudante a uma concepção mais elucidativa da dogmática genuína, vejamos a seguir.

A FÉ CRISTÃ COMO MENSAGEM DA IGREJA. 


Vimos que a fé cristã, a mensagem da Igreja, constitui o fundamento e o objeto da dogmática. Mas de que se trata? Daquilo em que crêem os cristãos e da maneira como eles crêem. Na prática, não se pode separar a forma subjetiva da fé, fides qua creditur, da pregação, pois essa pregação implica necessariamente na presença de homens que escutaram e receberam o Evangelho; homens que, juntos, foram evangelizados. Mas o fato de acreditarmos pode ser desde logo considerado como secundário em relação ao que existe de maior e de autêntico na pregação, ao que crê o cristão, isto é, o conteúdo de sua fé; e ao que devemos anunciar, isto é, o objeto da Confissão de Fé: creio em Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A linguagem popular denomina a Confissão de Fé de "Credo" e essa expressão deve ao menos nos fazer compreender o que nós acreditamos. Dentro da fé cristã trata-se, de uma maneira decisiva, de um encontro. Creio "em ..." diz a Confissão. Tudo depende desse "em ...", desse objeto de fé onde vive nossa fé subjetiva. É notável que, à parte desta introdução "creio ...", o Credo não diz nada do aspecto subjetivo da fé. Não foi bom quando os cristãos inverteram esta relação, falando muito sobre suas ações e sobre a emoção de experimentar aquilo que ocorre no interior do homem, enquanto permaneciam mudos sobre o que devemos crer. Ao silenciar sobre o lado subjetivo da fé para falar de seu aspecto objetivo, o Credo se concentra naquilo que para nós é essencial, no que devemos ser, fazer e viver. Aqui igualmente é válida a palavra: "aquele que quiser salvar sua vida, perdê-Ia-á, mas aquele que tiver perdido a sua vida por minha causa, salva-Ia-á (Mt 16.25). Aquele que quiser salvar e conservar a subjetividade perdê-Ia-á,mas aquele que a abandonar pela preocupação com a objetividade, reencontra-Ia-á. Eu creio: efetivamente é minha experiência, uma experiência humana e um fato, uma forma de nossa existência de homens.
Mas esse "creio" se realiza em um encontro com alguém que não é um ser humano, mas Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E no instante em que creio eu me sinto completamente preenchido e tomado pelo objeto de minha fé; o que me interessa não é mais "eu com minha fé", mas aquele em que eu creio. Quando eu penso nele e olho. E se vocês perguntarem: onde escutamos essa Palavra de Deus? Eu não posso fazer outra coisa senão mandá-los de volta ao próprio Deus que nos deu a ouvir a sua Palavra. Refiro-me ao coração da Confissão de Fé, a Palavra da graça, na qual Deus nos encontra, é Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Emanuel, Deus conosco. A fé cristã é o encontro com esse "Emanuel", com Jesus Cristo e, nele, com a Palavra viva de Deus. Quando chamamos a Sagrada Escritura de Palavra de Deus (nós a nomeamos assim por que é bem o que ela é), pensamos na Escritura como testemunho dado pelos profetas e pelos apóstolos à única Palavra de Deus, pensamos no judeu Jesus, que é o Cristo de Deus nosso Senhor e nosso Rei para sempre. Quando confessamos isso, ao ousarmos chamar a pregação da Igreja de Palavra de Deus, isso deve ser entendido como o anúncio de Jesus Cristo, daquele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem para nossa salvação. É nele que Deus vem ao nosso encontro. Quando dizemos: creio em Deus, significa concretamente: creio no Senhor Jesus Cristo.



sexta-feira, 27 de abril de 2012


TRABALHO UM AGIR DO HOMEM COM A ORDEM DE DEUS. 

Ao verificar e analisar o enfoque da abordagem capitalista de Marx, vamos primeiro ver a realidade da produção, efetuada pelo proletariado, vindo a surgir a importância da quantificação dos produtos do trabalho humano, que permite o cálculo de sua equivalência, o de Trocar-se uma certa  quantidade de moeda por um saco de cimento. Mas essa relação parece ocorrer entre ações que evidenciam, as realidades do causadas pelo trabalho, em sua participação na sociedade. Pois a participação do trabalhador causa, “uma relação social determinada dos homens entre si, adquire para eles a forma fantástica de uma relação de coisas entre si”. Este é o que Marx chama de caráter fetichista da mercadoria, dado pela incapacidade dos produtores de perceber que, através da troca dos frutos de seus trabalhos no mercado, são eles próprios que estabelecem uma relação social. Em outras palavras, o fetichismo do mundo das mercadorias deve-se a que os atributos sociais do trabalho são ocultos detrás de sua aparência material já que o  interessante na prática aos que intercambiam produtos é saber quanto obterão em troca deles, isto é, a proporção em que se intercambiam entre si, surgindo a importância da remuneração,ou da   proporção da estabilidade habitual, parece-lhes proveniente da natureza mesma dos produtos do trabalho. Causadores assim da motivação social, promovida pela classe dominante e absorvida pelos que fazem parte da geração do suor, o proletariado. Ai faço um elo entre esta proposta filosófica e a teologia; onde tambem vai ser defendido a importância do trabalho para sobrevivência humana, e que o trabalhador terá uma hierarquia, sendo o produtor do que a sociedade necessita que é o produto do trabalho, o propulsor da economia. Deus requer do homem seu agir, pois assim fazendo esta intervindo no transitar se sua história, que é escrita por Deus, mas depende do agir do homem em seu trabalho e convívio social. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Apos mais de uma semana sem postar, estou novamente adicionando mais um texto, para a contribuição do saber, para o leitor, hoje vamos abordar um assunto da filosofia. 

ANALISE FILOSÓFICO DO JUÍZO 

O juízo, como ato fundamental a que todos os outros se reduzem, está exposto, por sua vez, a erros transcendentais, que são erros que caracterizam as limitações da especulação e, como se verá mais a fundo ainda na Crítica da Razão Pura: a necessidade de uma correção prática de seu uso: através de ideias regulativas com o propósito de dar uma perspectiva global no uso sistemático das regras especulativas (ou os conceitos). É dessa forma que se pode estabelecer uma primeira ligação do juízo e o conceito de ideal prático já presente na Crítica da Razão Pura com o primado da razão prática. Justamente porque é um ato teórico primitivo, que não se reduz a outro mais elementar, o juízo não pode ser corrigido teoricamente. A sua correção é sempre um apelo à dimensão prática, regulativa, que explora as possibilidades de globalização da perspectiva de julgar, dando um ideal comparativo que corresponde à ambição da razão pura ao incondicionado. Porém, apenas praticamente, essa ambição é inofensiva; não provoca dialetizações.  É a partir dele que temos acesso a todos os juízos sintéticos a priori. Mas é, além disso, altamente prestativo na medida em que nos instrui sobre como evitar a influência desmedida da sensibilidade sobre o entendimento  que constituiria um erro do juízo, raiz dos erros transcendentais. Como o julgamento é a administração das intuições que serão sub sumidas por um conceito, a avaliação da particularização das leis, pode-se entender melhor porque a lógica transcendental pode ser identificada com um conjunto de prescrições para a faculdade do juízo.  

domingo, 8 de abril de 2012



A  PROFECIA A IGREJA DE ÉFESO.


Estaremos nas Lições Bíblicas da C.P.A.D neste trimestre estudando e aprendendo sobre Escatologia, matéria que atuo desde 95, portanto estarei apoiando a algumas Escolas Dominicais, mas sempre lembrando que sou professor da sala Atalaias na Sede. Vou postar alguns detalhes e pontos para a lição de domingo 15/4/12. 


ÉFESO. O nome significa “desejado”. Situação Geográfica: a cidade de Éfeso se encravava no pequeno Continente da Ásia Menor. “Esta era a capital da província romana da Ásia. Com Antioquia da Síria e Alexandria no Egito, formavam o grupo das três maiores cidades do litoral leste do Mar Mediterrâneo. O seu tempo da “Diana dos efésios” (At 19.28) foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo”. Pelo menos duas vezes, Paulo esteve nessa cidade (At 18.19 e 19.1). Em sua terceira viagem por aquela região, ele não chegou até lá, mas estando em Mileto “mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da Igreja”. Essa igreja recebeu duas cartas: uma de Paulo (epístola aos efésios), e outra de Cristo (à que está em foco). A primeira em 64 d. C., a segunda em 96 d. C.   
“Eu sei as tuas obra, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achaste mentirosos”.   
Está em foco neste versículo, os chefes Gnósticos, que tinham arrogado para si o título de apóstolos de Cristo. Paulo diz que tais “...falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2Co 11.13b). Diante dos “anciãos de Éfeso”, Paulo os chamou de “...lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho” (Al 20.29a). Oito livros do Novo Testamento foram escritos contra formas diversas dessa heresia, a saber: (Colossenses, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas). A Epístolas aos Efésios, o evangelho de João e o livro do Apocalipse, em alguns trechos esparsos, também refletem oposição a essa heresia. A igreja de Éfeso não suportava os tais gnósticos e por isso foi louvada pelo Senhor: “puseste à prova”. Esta expressão é o equivale dizer no grego: “Reprovaste-Os”.
A igreja de Éfeso, talvez tenha sido a de maior cuidado do ministério de Paulo; O Novo Testamento diz que, Paulo esteve em Éfeso, levando consigo Priscila e Áquila; e deixou-os ali (At 18.19); retornou mais tarde (19.1) e desta vez permaneceu dois anos, dedicado à pregação do Evangelho. Dessa maneira, todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra sobre o Senhor Jesus, assim judeus como gregos (At 19.10). Éfeso chegou mesmo a tornar-se o centro do mundo cristão. “As profecias de Paulo realizaram-se: poderá hoje, quem visita Éfeso saber onde era o lugar da casa ou templo em que a igreja se reunia? Tudo ruína! “Como homem, combati em Éfeso contra as bestas” disse Paulo: Feras humanas! (cf. 1Co 15.32)”.  
(O primeiro amor).  A presente expressão, não significa “declínio da fé” como alguns, mas, antes, sugere um esfriamento no amor (Mt 24.12). Cerca de 30 anos antes desta carta, a igreja de Éfeso, tinha ardente caridade para com “todos os santos” (cf. Ef 3.18). Paulo chegou até a convidá-los a participarem da “...largura, e a altura e a profundidade” do amor de Deus, “...que excede todo o entendimento” (Ef 3.18-19). O desaparecimento gradual do amor fraternal no coração do salvo (Mt 24.12). Tem como resultado, o abandono da “primeira caridade”. Pedro disse aos seus leitores: “...sobretudo, tende ardente caridade...” (1Pd 4.8).
 Cristo mencionou não menos que 9 características destacadas e louváveis que achou na igreja do Éfeso. Mas por isso podia desculpá-la da falta de amor. Apesar de qualquer esforço, ou de qualquer grau de sinceridade, gravíssimo é o nosso estado espiritual se nos faltar o amor: “...ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria”. “...ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria”. Esta é a grande declaração do Apóstolo Paulo, em 1Co 13.3-4. Se o cristão não tem amor, a vida espiritual também não tem sentido. “Nada Seria!”. Disse ele!. 
Esta profecia do Senhor Jesus sobre a “remoção” do castiçal de Éfeso, não se cumpriu na igreja mas também na cidade. Alguém já disse com sabedoria: “Há tempo para perdão e tempo para juízo”. Cf. Ec 3.1. Por muito tempo o “castiçal” de Éfeso se manteve em pé; Deus estava-lhe dando uma oportunidade para arrependimento. Segundo o testemunho da História, ela isso não fez, e o juízo de Deus atingiu não somente o “castiçal” (igreja, mas também a cidade, e no quinto século sua glória declinou. “Hoje não resta nem opulência, nem mesmo templos pagãos suntuosos, nem o porto, que o próprio Mar destruiu e aterrou”. Éfeso era a igreja autêntica; ensinava a verdadeira doutrina de Cristo, e punha a prova os homens que se desviaram da fé uma vez para sempre entregue aos santos. Mas devia arrepender-se de uma falta grave: “Deixou 0 primeiro amor”. No contexto vivido; a melhor maneira de o cristão restaura a “primeira caridade”, é sem dúvida alguma: praticar “as primeiras obras”. Ambos exigências, foram exigidas na igreja de Éfeso.    

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sábado, 31 de março de 2012


PROMESSAS NO ANTIGO TESTAMENTO. 


ESTOU POSTANDO PARTE DO TEXTO DE UM PPT DA AULA QUE LECIONEI SOBRE PROMESSAS NO ANTIGO TESTAMENTO.

O caráter peculiar das promessas do Antigo Testamento pode ser visto no fato de que as promessas não foram liquidadas pela história de Israel - nem por decepção, nem pelo cumprimento - mas que na experiência de Israel contrário da história deu-lhes uma constantemente interpretação nova e mais ampla. Este aspecto vem à tona quando perguntamos como aconteceu que as tribos de Israel não procedeu à alteração dos seus deuses sobre a ocupação da terra prometida, mas o Deus da promessa ficou deserto o seu Deus em Canaã. Na verdade, as promessas são cumpridas ancestrais na ocupação da terra e da multiplicação do povo, e Deus o deserto da promessa torna-se supérflua na medida em que suas promessas passar para o cumprimento.
 A vida sedentária a que tenham alcançado na terra tem pouco mais a ver com a promessa de Deus sobre a viagem através do deserto. Para o domínio da cultura agrária os deuses locais estão à mão. Poderia ser dito, é claro que as promessas ancestrais sobre a terra já foi cumprida e liquidada, mas que, por exemplo, as promessas de orientação e proteção para as hostes de Israel nas guerras santas continuar e ainda vivem problemas. Mas também poderia ser dito que o Deus que é reconhecido em suas promessas permanece superior a qualquer realização que pode ser experimentado, porque em cada realização da promessa, e que ainda está contida nele, ainda não se tornar totalmente congruente com a realidade e portanto,  permanece sempre um transbordamento.
A peculiaridade de contas da história de Israel como "historiografia condicionado pela fé na promessa“. É particularmente notável em comparação com os relatos da história em outro povos e outras religiões. "Em todas as mitologias grega e romana, o passado é rapresentado como fundamento perpétuo. Na visão hebraica e cristã da história o passado é uma promessa para o futuro e, conseqüentemente, a interpretação do passado torna-se uma profecia ao contrário ". A história de Israel mostra mais uma vez que as promessas de que Israel deve a sua existência em meio a provar todas as convulsões da história ser um continuo em que Israel foi capaz de reconhecer a fidelidade do seu Deus.  Talvez se possa dizer que as promessas entrar em cumprimento de eventos, ainda não estão completamente resolvidos, em qualquer caso, mas continua a haver um transbordamento que aponta para o futuro. 
É por isso que a realidade, como se trata e é esperado e que passa e é deixado para trás, é experimentado como história, e não como uma constante cósmica e sempre recorrente. Ele é experiente não na epifania do presente eterno, mas na expectativa da manifestação e realização de um futuro prometido. É por isso que o próprio presente, também, não é o presente do Absoluto - um presente com o qual e em que poderíamos cumprir - mas é, por assim dizer, na linha da frente avançar do tempo como dirigido propositadamente em direção ao seu objetivo em o horizonte móvel da promessa. Se a promessa de Deus é a condição em que se torne possível ter a experiência histórica da realidade, então a linguagem dos fatos históricos é a linguagem da promessa - de outra forma os eventos podem ser chamados nem "histórico", nem "eloqüente". As promessas de Deus para Israel iniciar a história e manter o controle em todas as experiências históricas.



domingo, 25 de março de 2012



       O ESPÍRITO DE ALIENAÇÃO COMO PROPOSTA DE HEGEL

Hegel é um Filósofo alemão que trabalha com a fenomenologia direcionada ao Ser religioso, além de desenvolver uma atuação destacada na dialética, como proposta de uma reestruturação social ,vejamos a seguir o que diz Hegel sobre o espírito da alienação.  O espírito de alienação de si mesmo tem seu ser-aí no mundo da cultura; porém quando esse  todo se alienou de si mesmo, para além dele está o mundo inefetivo da pura consciência ou do pensar. Seu conteúdo é o puramente pensado, e o pensar, seu elemento absoluto. Mas enquanto o pensar é inicialmente o elemento desse mundo, a consciência apenas tem esses pensamentos, mas ainda não os pensa, - ou não sabe que são pensamentos; senão que para ela estão na forma da representação. Com efeito, ela sai da efetividade para a pura consciência; contudo ela mesma está ainda, em geral, na esfera e determinidade da efetividade. A consciência dilacerada é em si apenas a igualdade-consigo mesma da pura consciência, só para nós, mas não para si mesma. Assim é somente a elevação imediata, ainda não implementada dentro de si, e possui seu princípio oposto pelo qual é condicionada, ainda dentro de si, sem se ter ainda assenhoreado dele pelo movimento mediatizado. Portanto, para ela, a essência do seu pensamento não vale como essência só na forma do Em-si abstrato, mas na forma de um Efetivo-comum, de uma efetividade que foi apenas alçada a outro elemento, sem ter nele perdido a determinidade de uma efetividade não-pensada. Há que distinguir essencialmente tal essência do Em-si, que é a essência da consciência estóica, para a qual só valia a forma do pensamento enquanto tal, que tem um conteúdo qualquer a ele estranho, e tomado da efetividade. Mas, para a consciência aqui considerada, o que vale não é a forma do pensamento. Diferenciar-se também do Em-si da consciência virtuosa, para a qual a essência está, decerto, em relação com a efetividade; para a qual é essência da efetividade mesma, - mas é somente essência inefetiva. Para a consciência de que falamos, a essência, embora esteja além da efetividade, vale contudo como essência efetiva. Igualmente, o justo e o bem em si, da razão legisladora, e o universal da consciência que-examina-as-leis, não têm a determinação da efetividade. Portanto, se dentro do próprio mundo da cultura o puro pensar se situava como um dos lados da alienação - a saber, como critério do abstrato bem-e-mal no juízo - agora tendo atravessado o movimento do todo, se enriquece com o momento da efetividade e portanto, com o momento do conteúdo. Mas essa efetividade da essência, ao mesmo tempo, é apenas uma efetividade da pura consciência, não da consciência efetiva. Embora elevada ao elemento do pensar não vale ainda para essa consciência como um pensamento, mas para ela, antes está além de sua efetividade própria,  pois é a fuga dessa efetividade.

quarta-feira, 21 de março de 2012



BONHOEFFER E SUA TEOLOGIA.

Uma das figuras de maior influência na teologia atualmente é Dietrich Bonhoeffer. Por cerca de dez anos, desde sua morte em 1945, ele foi lembrado principalmente como mártir, mas, nos dez anos seguintes, seu pensamento foi se tornando fator de grande inspiração para teólogos filiados a tendências bem diferentes. Pode parecer estranho que ele pudesse causar impacto tão notável sobre os teólogos e sobre os jovens pelo fato de que seu estilo é um tanto pesado e não muito claro. Por exemplo, ele preferiu dar os seguintes títulos a suas obras de maior importância: Sanctorum Communio e Ato e Ser. Como se observa, não são títulos assim que costumam ser adotados para o lançamento de best-sellers. Em grande medida, a influência de Bonhoeffer baseia-se na maneira como ele viveu. Filho de um psiquiatra alemão, ele nasceu em 1906. Foi muito ativo nas iniciativas ecumênicas da Igreja considerada como uma entidade mundial. Ele foi um dos primeiros alemães que perceberam o mal contido no nazismo. Por causa da maneira aberta como criticou o regime de Hitler, ele quase sempre teve de trabalhar clandestinamente. Por algum tempo, ele esteve com a responsabilidade da direção de um seminário que existiu à margem da lei. Ele ausentou-se da Alemanha por um certo período, durante o qual desempenhou um pastorado à frente de uma paróquia inglesa. Quando as nuvens da guerra estavam se adensando durante o ano de 1939, ele se encontrava em visita aos Estados Unidos. Seus amigos insistiram muito com ele para que permanecesse fora da Alemanha, mas ele sentiu que só lhe seria possível colaborar na futura reconstrução da Alemanha caso estivesse presente ali durante os anos tenebrosos que ele antevia para o país e, assim pensando, Bonhoeffer voltou para sua terra.
Os teólogos importantes da Alemanha na década de 1930 sentiam que tinham a obrigação de decidir quanto ao que fazer em face do nazismo. Barth e Tillich tiveram de exilar-se, Bultmann agiu com suficiente reserva para manter-se em sua cátedra durante a era nazista, mesmo tendo de experimentar constantes tensões. Bonhoeffer optou pela volta à Alemanha, para comprometer-se com o movimento de resistência que operava na clandestinidade e até mesmo para associar-se ao grupo que planejou assassinar Hitler. Em 5 de abril de 1943 ele foi preso e passou dois anos na cadeia. Pouco antes da chegada das tropas americanas que conseguiram libertar a área do país na qual ele estava preso, ele foi enforcado em Flossenburg, no dia 9 de abril de 1945.
Enquanto ele esteve aprisionado, conquistou o respeito e a admiração dos companheiros de prisão e dos encarregados da vigilância. Os vigilantes lhe permitiram até o envio de cartas endereçadas a seu amigo Eberhard Bethge. Exatamente aquelas cartas, divulgadas em volume intitulado Cartas e Escritos da Prisão, tornaram-se uma das principais fontes para que se verificasse sua elevação até os altos escalões do pensamento teológico nestes últimos tempos. Bonhoeffer morreu como tinha vivido, isto é, dando testemunho de sua fé. Os policiais foram buscá-lo para que ele fosse levado ao lugar de sua execução precisamente no instante em que ele estava terminando a realização de um culto do qual participava juntamente com os demais companheiros de prisão. Com absoluta tranqüilidade, ele voltou-se para um de seus amigos e disse-lhe: “Chegou o fim. Para mim, esse é o momento quando começo a viver.”  
Sente-se como se estivesse ouvindo uma gravação de alguma conversa mantida entre desconhecidos. Trata-se de cartas dirigidas pelo autor a um seu amigo e ele as escreveu mais visando a um extravasamento de valor terapêutico do que à elaboração de algum ensaio teológico. Uma das figuras de maior influência na teologia atualmente é Dietrich Bonhoeffer. Por cerca de dez anos, desde sua morte em 1945, ele foi lembrado principalmente como mártir, mas, nos dez anos seguintes, seu pensamento foi se tornando fator de grande inspiração para teólogos filiados a tendências bem diferentes. Pode parecer estranho que ele pudesse causar impacto tão notável sobre os teólogos e sobre os jovens pelo fato de que seu estilo é um tanto pesado e não muito claro. Por exemplo, ele preferiu dar os seguintes títulos a suas obras de maior importância: Sanctorum Communio e Ato e Ser. Como se observa, não são títulos assim que costumam ser adotados para o lançamento de best-sellers.
Em grande medida, a influência de Bonhoeffer baseia-se na maneira como ele viveu. Filho de um psiquiatra alemão, ele nasceu em 1906. Foi muito ativo nas iniciativas ecumênicas da Igreja considerada como uma entidade mundial. Ele foi um dos primeiros alemães que perceberam o mal contido no nazismo. Por causa da maneira aberta como criticou o regime de Hitler, ele quase sempre teve de trabalhar clandestinamente. Por algum tempo, ele esteve com a responsabilidade da direção de um seminário que existiu à margem da lei. Ele ausentou-se da Alemanha por um certo período, durante o qual desempenhou um pastorado à frente de uma paróquia inglesa. Quando as nuvens da guerra estavam se adensando durante o ano de 1939, ele se encontrava em visita aos Estados Unidos. Seus amigos insistiram muito com ele para que permanecesse fora da Alemanha, mas ele sentiu que só lhe seria possível colaborar na futura reconstrução da Alemanha caso estivesse presente ali durante os anos tenebrosos que ele antevia para o país e, assim pensando, Bonhoeffer voltou para sua terra.

quarta-feira, 14 de março de 2012



AS INCERTEZAS DO CONHECIMENTO. 

O conhecimento é, pois, uma aventura incerta que comporta em si mesma, permanentemente, o risco de ilusão e de erro. Entretanto, é nas certezas doutrinárias, dogmáticas e intolerantes que se encontram as piores ilusões; ao contrário, a consciência do caráter incerto do ato cognitivo constitui a oportunidade de chegar ao conhecimento pertinente, o que pede exames, verificações e convergência dos indícios; assim, nas palavras cruzadas, atinge-se a precisão para cada palavra na adequação ao mesmo tempo de sua definição e sua congruência com as outras palavras que contêm letras comuns; em seguida, a concordância geral que se estabelece entre todas as palavras constitui a verificação de conjunto que confirma a legitimidade das diferentes palavras inscritas. Mas a vida, diferentemente das palavras cruzadas, compreende espaços sem definição, espaços com falsas definições e, sobretudo, a ausência de um quadro geral fechado; é somente aí que se pode isolar um quadro e tratar os elementos classificáveis, que se pode alcançar certezas. Uma vez mais repetimos: o conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas, entre arquipélagos de certezas. Temos, às vezes, a impressão de que a ação simplifica, pois em uma alternativa decide-se, escolhe-se. Entretanto, a ação é decisão, escolha, mas é também uma aposta. E na noção de aposta há a consciência do risco e da incerteza. Aqui intervém a noção de ecologia da ação. Tão logo um indivíduo empreende uma ação, qualquer que seja, esta começa a escapar de suas intenções. Esta ação entra em um universo de interações e é finalmente o meio ambiente que se apossa dela, em sentido que pode contrariar a intenção inicial. Freqüentemente a ação volta como um bumerangue sobre nossa cabeça. Isto nos obriga a seguir a ação, a tentar corrigi-la — se ainda houver tempo  e, às vezes, a torpedeá-la, como fazem os responsáveis da Nasa, quando explodem um foguete que se desvia de sua trajetória. A ecologia da ação é, em suma, levar em consideração a complexidade que ela supõe, ou seja, o aleatório, acaso, iniciativa, decisão, inesperado, imprevisto, consciência de derivas e transformações Uma das maiores conquistas do século XX foi o estabelecimento de teoremas que limitam o conhecimento, tanto no raciocínio (teorema de Gödel, teorema de Chaitin), como na ação. Neste campo, assinalemos o teorema de Arrow, que erige a impossibilidade de associar o interesse coletivo a interesses individuais, assim como de definir a felicidade coletiva com base em uma coleção de felicidades individuais. De forma mais ampla, é impossível apresentar um algoritmo de otimização para os problemas humanos: a busca da otimização ultrapassa qualquer
capacidade de busca disponível e torna finalmente não ótima, quiçá péssima, a procura do optimum. Somos conduzidos a nova incerteza entre a busca do bem maior e a do mal menor. Por outro lado, a teoria dos jogos de von Neumann indicamos que, além do duelo entre dois atores racionais, não se pode decidir com segurança a melhor estratégia. Entretanto, os jogos da vida raramente comportam dois atores e, ainda mais raramente, atores racionais. Que optimizam o conhecimento concedendo uma maior amplitude ao saber e o entender das realidades da pesquisa. 

sexta-feira, 9 de março de 2012




A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS EM 274 A 306  d.C 




Depois dum descanso de uns vinte e oito anos, tornou a mesquinha mão do homem a estender-se para continuar a perseguição, e o imperador fez o último e desesperado es­forço para exterminar a religião tão odiada. Historicamen­te, foi este o último e decisivo conflito entre o paganismo e o cristianismo. Durou dez anos, e foi sem dúvida a mais desoladora de todas as perseguições. A segurança tranqüi­la, que a Igreja desfrutara desde a morte de Aureliano ti­nha produzido uma tal inação nos cristãos, que a sua con­dição levantou um certo sentimento de vergonha no cora­ção de muitos, misturado com o receio de que o desagrado do Senhor estivesse pendente sobre as suas cabeças. Em conseqüência da sua infidelidade, a Igreja tinha diminuído muito em poder espiritual, mas tinha aumentado em so­berba e ambição mundana; e a simplicidade de seu culto quase se ofuscou por ritos mais judaicos que cristãos.E isto ainda não era tudo. Muitos empregavam os seus dons espirituais em ostentação em vez de os empregarem em edificação; e aqueles que tinham o privilégio de poder alimentar o rebanho de Deus, descuravam o seu encargo sagrado e ocupavam-se na acumulação de riquezas. Os bis­pos, cujo verdadeiro dever era servir ao povo e trabalhar pessoalmente entre os pobres e os doentes, tornavam-se numa grande ordem sacerdotal, e procediam como "tendo domínio sobre a herança de Deus". Estes tinham empregados às suas ordens e já não seguiam a hospitalidade de que Paulo falara como sendo uma qualidade indispensável aos bispos, mas recebiam um salário, tornando-se dependen­tes dos ganhos alheios.Antes de ter passado um século, ouviu-se um pagão di­zer: "Façam-me bispo de Roma, que eu logo me tornarei cristão" .Na verdade, a distinção entre o clero e os leigos procedia deste sistema de tirania espiritual; e daqui provinham por sua vez, aqueles medonhos abusos da Idade Média, que mais tarde foram condenados em parte (se bem que por razões políticas) pelo arrogante e ousado Hildebrando, quando subiu à cadeira papal. Além disso, a paz inteira das assembleias era constan­temente perturbada pelas discussões. Havia contínuas disputas entre os bispos e os presbíteros, por causa das altivas pretensões dos primeiros, que exigiam superioridade na igreja, superioridade esta que os últimos não queriam de modo algum conceder. Nos primeiros tempos do cristianismo aqueles dois títulos haviam sido considerados iguais, e só perto do fim do segundo século é que o costume conse­guiu colocar um acima do outro. A controvérsia foi longa e amarga, e enquanto os pastores assim lutavam uns com os outros, as ovelhas morriam de fome, e os lobos daninhos estavam-se introduzindo no meio delas, não poupando o rebanho. Sendo este um momento cruel que resultou em mortes cruéis, o sangue derramado, para assinalar o progresso da Igreja, que mesmo em meio ao expressivo ataque, tiveram a vitória de perseverar, com a bandeira do evangelho estiada. 


sábado, 3 de março de 2012


                   A MENSAGEM DE LUTERO SOBRE A MORTE.

A morte esta constantemente presente na vida humana. É também o ponto final da mesma. Mais cedo ou mais tarde, cada pessoa precisa  enfrentá-la. Na época de Lutero, bem como na Idade Média, a morte era vista como o implacável "último inimigo" (1 Co 15.26) do ser humano. As pessoas sentiam-se terrivelmente atemorizadas pelas "imagens" da própria morte, do pecado, cujo "salário" é a morte, segundo a compreensão bíblica (Rm 5.12; 6.23; 7.13), e do inferno, o paradeiro dos pecadores não arrependidos. Muitas obras de arte mostram tais imagens com abundantes detalhes. Para debelar esses temores, as pessoas procuravam consolo de todas as maneiras possíveis. Boa parte da religiosidade popular daqueles tempos nada mais era do que a manifestação de tal rirocura. Surgiu também toda uma literatura pastoral de consolo. No inicio de maio de 1519, Marcos Schart (m. 1529), conselheiro do príncipe eleitor da Saxônia, Frederico, o Sábio (1463-1525)6, pedira a Lutero, por intermédio de Jorge Espalatino7, uma orientação sobre a preparação para a morte. Lutero, muito ocupado com importantes discussões teológico-eclesiásticas, indicou-lhe o livrinho de Staupitz, redigindo o presente sermão apenas em meados de outubro de 1519. Em 1 de novembro, enviou os primeiros exemplares a Espalatino, para que este entregasse alguns a Schart. Ainda existe o exemplar com a dedicatória do punho do próprio Lutero. O autor recebeu do conselheiro, em sinal de agradecimento, 10 florins, que emprestou imediatamente a um pobre.O sermão mostra Lutero como pastor que vai ao encontro dos anseios existenciais das pessoas, enfrentando suas mais profundas angústias e preocupações a partir da teologia da cruz. Desvia a atenção das pessoas das terríveis imagens que as atemorizam  a dirige para Jesus Cristo, que na cruz venceu a morte, o pecado e o inferno. Em isto se resolve também o velho problema da predestinação. evangélica é agarrar a esse Cristo que é vida. A fé, pois, é algo bem concreto, que sustenta a pessoa não apenas no dia-a-dia, mas também no fim desta vida, na morte. Os "documentos" da vida que se tem em Cristo, as "promessas visíveis" de Deus, são os sacramentos, recebido a fé.  Importante também é, justamente  hora da morte, o fato de o cristão fazer parte da comunhão dos santos, confessada no Credo Apostólico, ou seja, da comunidade terrena dos cristãos juntamente com a comunidade celeste dos anjos e dos santos. No presente escrito, Lutero mostra com clareza que a justificação pela fé é o poder pelo qual se pode viver e também morrer, ressuscitar em Jesus Cristo é o único consolo e apoio firme não só na vida, mas também na morte. Este sermão é uma das mais belas obras de toda a literatura pastoral dos primórdios do cristianismo evangélico. A procura por ele foi tanta que, ainda no ano de 1519, isto é, em pouco mais de dois meses, foi reeditado cinco vezes. Até 1525 houve, todo, 21 reedições além de duas traduções latinas  um sinal inequívoco de sua enorme popularidade Quando nos despedimos de todos na terra, então devemos voltar-nos para Deus somente, pois é para lá que se dirige e é para lá que nos conduz o caminho da morte. Aí inicia a porta estreita, o caminho apertado para a vida, por onde cada um deve se aventurar com bom ânimo, pois o caminho é, por certo, muito estreito, mas não é longo. Ocorre neste caso o mesmo que acontece quando uma criança nasce, com perigo e temores, da pequena moradia do ventre de sua mãe para dentro deste vasto céu e desta vasta terra, isto é, vem a este mundo. Da mesma forma o ser humano sai desta vida pela porta estreita da morte. Embora o céu e o mundo em que vivemos agora sejam considerados grandes e vastos, tudo é muito mais apertado e menor em comparação com céu que nos aguarda do que o ventre materno o é em comparação com este céu. E por isso que a morte dos queridos santos é chamada de novo nascimento; é por isso também que o dia a eles dedicado é chamado, em latim, de natalei', dia de seu nascimento. No entanto, a estreiteza da passagem para a morte faz com que esta vida nos pareça ampla e aquela, estreita. Por esta razão devemos crer nisso e aprender do nascimento corporal de uma criança. Assim diz Cristo: "Uma mulher, quando está para dar a luz, sente medo. Mas depois de dar a luz, já não se lembra do medo, porque, através dela, um ser humano nasceu ao mundo." Jo 16.21.  O mesmo vale para a morte: devemos livrar-nos do medo e saber que, depois, haverá muito espaço e alegria. Tais arranjos e preparativos para essa viagem consistem, em primeiro lugar, em providenciar uma confissão sincera (principalmente dos pecados maiores e dos que, no momento, conseguimos lembrar com o máximo esforço) e os santos sacramentos cristãos do santo e verdadeiro Corpo de Cristo e da Extrema-Unção, em desejar estes sacramentos com devoção e em recebê-los com muita confiança, na medida em que é possível obtê-los. Onde isso não é possível, o anseio  e desejo desses sacramentos deve, mesmo assim, ser consolador, e não devemos nos apavorar demais com issoi3. Cristo diz: "Todas. as coisas são possíveis a quem crê." Mc 9.23.1 Pois os sacramentos outra coisa não são do que sinais que servem a fé e incitam a crer, como ainda veremos. Sem essa fé, eles de nada aproveitam.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O QUE É O INTELIGENT DESING


MAIS UM  POUCO SOBRE O INTELIGENT DESING. 



Projeto inteligente ou design inteligente é a tradução do termo inglês intelligent design, corrente de pensamento que busca contestar as idéias evolucionistas em relação ao surgimento da vida na Terra e à seleção natural. A base do ideal dessa corrente “científica” é a afirmação de que a diversidade biológica não se deu evolutivamente, mas sim por interferência ou condução de uma inteligência superior, não reportando essa ação a Deus ou a seres extraterrestres. O Projeto Inteligente ganhou visibilidade graças a pressão de comunidades religiosas nos Estados Unidos, que judicialmente conseguiram inserir os conteúdos do Projeto Inteligente nas escolas. Em alguns casos os conteúdos evolucionistas foram simplesmente suprimidos do currículo. A tentativa de dificultar o ensino de conceitos científicos, que não atendam aos ensinamentos religiosos, não é novidade nos Estados Unidos. Em 1925, no estado do Tennessee, foi promulgada uma lei que estabelecia que o professor que ensinasse qualquer teoria contrária à bíblica seria preso e quanto às escolas, as que ensinassem teorias evolutivas, teriam suas verbas estaduais cortadas. O julgamento da causa da lei gerou o título “Julgamento do Macaco”, como caracterização da polêmica gerada. Para alguns cientistas, a apresentação do Projeto Inteligente seria apenas uma reformulação da teoria religiosa criacionista, que busca se contrapor às teorias científicas sobre o processo de evolução, principalmente às ideias de Darwin. 

Como toda teoria, o Design Inteligente se apóia em três argumentos primários:  

1. Complexidade Irredutível: Refere-se ao fato de a vida ser composta de partes interligadas que dependem umas das outras para que sejam úteis. A mudança em uma parte apenas por mutação, por exemplo, não poderia ser responsável pela eficiência de toda estrutura.
2. Complexidade Específica: Apresenta que seria impossível que padrões tão complexos, como os presentes nos seres vivos, tenham se desenvolvido através de processos do acaso.
3. Princípio Antrópico: Acredita que a existência e desenvolvimento da vida na Terra requerem que tantas variáveis estejam perfeitamente harmonizadas, que seria impossível que todas as variáveis chegassem a ser como são apenas pelo acaso. Se nosso planeta fosse um pouco mais próximo do Sol, as condições para existência de vida seriam inviáveis.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

CRIAÇÃO E DESING E INTELIGENTE

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Estarei postando a segunda parte sobre o vídeo que apresenta sobre criação e design inteligente.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

INTELIGENTE DESIGN

Estarei postando sobre Inteligente Design que tem sido um tema bastante discutido na atualidade,em dois vídeos,o próximo posto daqui alguns dias.   
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012


A CARIDADE O AMOR EXEMPLAR. 


Os amores naturais não são auto-suficientes. Algo mais, a princípio vagamente descrito como “decência e senso comum”, mas depois revelado como bondade e finalmente como o total da vida cristã numa relação particular, deve vir em ajuda do mero sentimento caso este deva manter-se agradável. Dizer isto não é depreciar os amores naturais mas indicar onde se acha a sua verdadeira glória. Não é desprezo pelo jardim dizer-lhe que não poderá tirar sozinho as ervas daninhas nem podar as árvores frutíferas ou colocar uma cerca ao seu redor, ou mesmo cortar a grama. Um jardim é uma coisa boa, mas essa não é a espécie de bondade que ele possui, pois permanecerá um jardim, distinto de uma selva somente se alguém fizer todas essas coisas para ele. Sua verdadeira glória é de um tipo muito diferente. O próprio fato de necessitar cuidados constantes dá testemunho dessa glória. Ele fervilha de vida. Ele resplandece em cores e aromas celestiais e apresenta a cada hora de um dia de verão belezas que o homem jamais poderia ter criado nem mesmo imaginado com seus próprios recursos. Se você quiser ver a diferença entre a contribuição dele e a do jardineiro, coloque o mato mais comum que nele cresce lado a lado com as enxadas, ancinhos, tesouras de podar e pacote de inseticida; você colocou beleza, energia e fecundidade ao lado de coisas mortas, estéreis. Assim também a nossa “decência e bom senso” se mostram cinzas e cadavéricos ao lado da genialidade do amor. E, quando o jardim se encontra em plena glória, as contribuições do jardineiro para essa glória continuarão desprezíveis quando comparadas às da natureza.
Sem a vida brotando da terra, sem a chuva, a luz e o calor descendo do céu, ele nada poderia fazer. Depois de ter feito tudo, simplesmente encorajou aqui e desencorajou ali, poderes e belezas de uma fonte diferente. A sua contribuição, porém, embora pequena, é indispensável e laboriosa. Quando Deus plantou um jardim, Ele colocou um homem sobre o mesmo e este debaixo das suas ordens. Quando Ele plantou o jardim da nossa natureza e fez com que amores brotassem e frutificassem nele estabeleceu que “cuidássemos” deles.
Comparada com os mesmos ela é seca e fria e a não ser que a graça divina desça, com a chuva e o sol, usaremos em vão este instrumento. Mas os seus serviços laboriosos, e na maioria negativos, são indispensáveis. Se eles foram necessários enquanto o jardim era ainda paradisíaco, quanto mais agora quando o solo se contaminou e as piores espécies de ervas daninhas parecem crescer alegremente nele? Mas, não permita o céu que labutemos com espirito de presunção e estoicismo. Enquanto ceifamos e podamos sabemos muito bem que aquilo em que estamos trabalhando está cheio de um esplendor e vitalidade que nossa vontade racional jamais poderia ter suprido por si mesma. Liberar esse esplendor, fazer com que se torne completamente aquilo que está tentando ser, obter apenas árvores altas em lugar de moitas emaranhadas, e maçãs doces em lugar de azedas, é parte de nosso propósito. Mas apenas parte. Pois devemos encarar agora um tópico que deixei para o final. Até aqui quase não disse nada sobre os nossos amores naturais rivalizarem com o amor de Deus. A questão não pode mais entretanto ser evitada. Existem duas razões para tê-la posto de lado até este momento. Uma delas, já insinuada, é que não é neste ponto que a maioria de nós precisa começar. A questão, no início, raramente é dirigida à nossa condição, pois para a maioria de nós a verdadeira rivalidade se acha entre o “eu” e o “Outro” humano, e não ainda entre o “Outro” humano e Deus. E perigoso pressionar sobre alguém o dever de ultrapassar o amor terreno quando sua real dificuldade está em chegar até esse ponto. Sem dúvida é fácil amar menos nosso semelhante e imaginar que isso está acontecendo porque estamos aprendendo a amar mais a Deus, quando a verdadeira razão pode ser muito diversa. Podemos estar somente “confundindo a deterioração da natureza pelo crescimento na Graça”. Muitas pessoas acham realmente difícil odiar suas esposas ou mães. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012


OS CONTROVERSOS E CONVERGENCIAS LEI E GRAÇA.

A mais óbvia e impressionante divisão na Palavra da verdade é aquela que se faz entre lei e graça. De fato, esses dois princípios contrastantes são as características essenciais das duas dispensações mais importantes: a judaica e a cristã. "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (João 1.17). Não se quer afirmar, obviamente, que não havia lei antes de Moisés; ou, ainda, que não havia graça e verdade antes de Jesus Cristo. A proibição feita a Adão, referente à árvore do conhecimento do bem e do mal, (Gn.2.17) foi lei; e certamente a graça foi manifestada da maneira mais afável no fato de o Senhor Deus ter procurado suas criaturas pecadoras e tê-las vestido com túnicas de peles (Gn 3.21) - um lindo tipo de Cristo, o qual "para nós foi feito... justiça" (1 Co 1.30). A lei, no sentido de uma certa revelação quanto à vontade de Deus, e a graça, no sentido de uma certa revelação sobre sua bondade, sempre existiram - e a esse respeito as Escrituras testificam com abundância. Contudo, "a lei" que se menciona com mais freqüência nas Escrituras foi dada por meio de Moisés e, desde o Sinai até o Calvário, domina e caracteriza a época; assim como a graça domina ou confere seu caráter peculiar à dispensação que se inicia no Calvário e tem no arrebatamento da igreja o seu término predito. E da mais vital importância, contudo, observar que as Escrituras jamais, em nenhuma dispensação, misturam esses dois princípios. A lei sempre tem seu espaço e obra distintos e completamente diversos do espaço e obra pertencentes à graça. A lei é Deus proibindo e exigindo; a graça é Deus suplicando e concedendo. A lei é um ministério de condenação; a graça, de perdão. A lei amaldiçoa; a graça redime dessa maldição; a lei mata; a graça vivifica. A lei faz com que toda boca se feche diante de Deus; a graça faz com que toda boca se abra para louvá-lo. A lei interpõe grande e culpada distância entre o homem e Deus; a graça ergue o homem culpado para perto de Deus. A lei diz "olho por olho, e dente por dente"; a graça diz "não resistais ao [homem] mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra". A lei diz "odeia teu inimigo"; a graça afirma "amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maltratam". A lei diz cumpra e viva; a graça diz creia e viva. A lei nunca teve um missionário; a graça deve ser pregada a toda criatura. A lei condena totalmente o melhor dos homens; a graça justifica gratuitamente o pior (Lc 23.43; Rm 5.8; 1 Tm 1.15; 1 Co 6.9-11). A lei é um sistema de mérito; a graça, de favor. A lei apedreja uma adúltera; a graça diz: "Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais". Sob a lei, a ovelha morre pelo pastor; sob a graça, o Pastor morre pelas ovelhas. Em todo lugar, as Escrituras apresentam a lei e a graça em esferas marcadamente distintas. Sua mistura em muito do que atualmente é ensinado corrompe ambas, posto que a lei é privada de seu terror, e a graça,de sua liberalidade.